segunda-feira, 8 de março de 2010


Renato não permitiu ser vítima
Gilmar foi considerado o maior caso de vitimização da América Latina. Um sobrevivente. De quando nasceu até os oito anos, teve seus dentes arrancados com chave de fenda em brasa, seu abdômen aberto a pontapés, a orelha e língua cortados com tesoura, tinha catarata pela inserção de tantas coisas em seus olhos e havia tido duas rupturas do abdômen devido a pontapés. A agressora foi sua própria mãe biológica.
Gilmar ficou no passado. Acolhido e adotado legalmente por Marisa Mello Mendes, Renato Mello Martins - seu atual nome - tem hoje 29 anos, faz palestras sobre violência infantil pelo Brasil e outros países e atua como voluntário com jovens em uma das casas-lares da ONG Parábola.
Há alguns anos, conta ele, "eu não pensava em reencontrar minha mãe biológica, mas minha mãe Marisa sempre falava sobre a importância do perdão, mas eu pensava como é que ela achava que tinha perdoado se nunca mais tinha visto aquelas pessoas que tanto mal fizeram a ela?". Quando presenciou Marisa abraçada ao pai que havia abusado sexualmente dela na infância e o perdoado, Renato tomou uma decisão. "Eu soube que minha mãe biológica tinha saído do Carandiru, que não achava emprego e meus irmãos estavam passando necessidade.
Fui lá levar uma cesta básica. Eles não me reconheceram, também eu tinha feito 19 operações plásticas só no rosto, implante de língua, lábios, ossos, dentes, orelha, e tanta coisa. Quando ela descobriu quem eu era, pensou que eu tinha ido lá para me vingar, mas disse que Deus é o único que pode fazer justiça. Ali começava a minha cura". O jovem escreveu "Sobre+viver apesar de tudo", uma cartilha contra a violência infantil, e "Lágrimas com Poder de Cura". E o sobrevivente Renato tem um sonho: que alguém se interesse em editar o seu livro, um exemplo de superação.

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